História do Design resumo

 

 


 

História do Design resumo

 

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História do Design resumo

 

História do Design resumo

 


Breve história do Design (1751-1900)  

 

      1751-1800

      

     Benjamin Franklin descobriu, em 1752, a electricidade, que hoje em dia consumimos avidamente e da qual somos completamente dependentes, e James Watt, em 1765, inventou a Máquina a Vapor que iria dar início à Revolução Industrial.
Começava a gerar-se a mudança radical da vida humana, primeiro em Inglaterra e mais tarde no resto do mundo. Londres, onde em 1753 foi fundado o Museu Britânico, será, no final desse século, a maior cidade dos países em desenvolvimento de então.
Em1769 Richard Arkwright patenteou a máquina de fiar conhecida como Water Frame que melhorou a resistência do fio, muito contribuindo para a liderança inglesa na manufactura mundial de têxteis.
Proveniente de Manchestar, estabeleceu-se, em 1774, nos Estados Unidos da América, a primeira comunidade Shaker. Cristãos puritanos, desenvolveram um tipo de mobiliário despojado, harmonioso e muito funcional que reflectia os princípios ideológicos da seita, as noções de santidade do trabalho e de rigor nas tarefas a executar.
Em Shropshire, Inglaterra, levantava-se em 1779 a primeira ponte inteiramente construída em ferro; no condado, em Coalbrookdale, era abundante o carvão de qualidade e Abraham Darby tinha sido pioneiro na fundição do metal. A "Garganta da Ponte de Ferro" está desde 1986 classificada como Património Mundial por ser local de nascimento da Revolução Industrial.
Um vasto império colonial simultaneamente fornecedor de matéria prima e mercado e abundantes jazidas do melhor carvão junto à produção conduziram a Inglaterra à liderança mundial.
Davam-se as grandes revoluções. Em 1776, a Declaração de Independência dos EUA e em 1789, em França, a tomada da Bastilha prenunciam um novo mundo: a Idade Contemporânea.

      1801-1850

      

     Em 12 de Fevereiro de 1804, em Königsberg, sua cidade de sempre, morria Immanuel Kant. Filósofo da revolução francesa, da liberdade do indivíduo e de uma nova ordem mundial baseada no cosmopolitismo, provocou uma "revolução coperniciana" no pensamento filosófico.
Em 1810 o inglês Peter Durand criou a lata metálica para conter alimentos líquidos ou sólidos. Abria-se com um martelo e um cinzel pois o abre-latas só surgiria 50 anos depois.
Após 8 horas de exposição à luz, em meados de 1827, Niépce conseguiu a primeira fotografia. Poucos anos depois, Louis Daguerre baixava o tempo de exposição para meia hora e estabilizava a imagem, tornando-a permanente.
Em 1829 Louis Braille inventou o seu sistema de escrita para invisuais e começa a funcionar, a partir de 1830, a linha de caminhos de ferro entre Liverpool e Manchester (esta última era o epicentro da Revolução Industrial). Nesse mesmo ano o alfaiate francês Barthélemy Thimonnier inventou a primeira máquina de coser.
Em 1833 iniciava-se, no Império Britânico, o longo reinado da rainha Victória que marcaria todo o século com o seu gosto, a moral e costumes conservadores (ou vitorianos como também se diz). Era de mau gosto aludir às necessidades fisiológicas e por isso não teve sucesso, na altura, a inovação de Walter Alcock que em 1879 criou o papel higiénico em rolo, melhorando, assim, a invenção de 1857, em folhas individuais, do estadunidense Joseph Cayetty.
Em 1839, o químico e director da Manufactura dos Gobelinos Eugène Chevreul publicou o seu ensaio "Da lei do contraste simultâneo de cores". Em 1845 foi inventado o elástico de borracha para segurar papéis ou envelopes e o alfinete de bebé inventou-o Walter Hunt, em 1849.
Karl Marx e Friedich Engels publicaram, em 1847 o Manifesto Comunista e em 1867 Marx escreveu "O Capital", o tratado de análise social e económica mais influente de todos os tempos, com implicações também na teoria da Arte ao evidenciar a dimensão mercantil da mesma.

 

      1851-1900

      

     Era o início da era industrial. Já vivia em cidades a maioria da população britânica.
Em 1851, no Crystal Palace de Joseph Paxton, dava-se a primeira Exposição Universal, em Londres, cidade que também viu nascer o primeiro metropolitano (1890) e os bairros operários. O Ocidente tomava contacto com a arte japonesa, os primeiros arranha-céus mudavam o horizonte de Chicago e Paris transformava-se sob o desenho de Haussmann.
Na década de cinquenta, o inglês Charles Frederick Worth conquistava a sociedade elegante de Paris e criava a Alta Costura. Foi o primeiro costureiro famoso e o primeiro a usar Modelos. O negócio do vestuário deixou se basear em encomendas ao gosto da cliente passando o criador a impor os seus projectos mediante colecções sazonais.
A partir de 1860 já se encontrava activo o teórico e designer Cristopher Dresser. Botânico de formação, foi um visionário que reagiu à má qualidade decorativa e construtiva dos objectos de fabrico em série do seu tempo. Da observação da Natureza e com sólidos conhecimento das técnicas construtivas criou objectos cerâmicos, em vidro e em metal que muito contribuíram para impor a liderança industrial inglesa. São objectos que espantam pela sua actualidade e por isso alguns deles ainda são fabricados actualmente, nomeadamente por Alessi.
Em 1869 as duas costas dos EUA foram unidas pela Union Pacific RailWay, em 1874 rolava pela primeira vez o primeiro carro-eléctrico de Nova Iorque e em 1876 A. Bell efectuava a primeira chamada telefónica.
Em Junho 1878 Eadweard Muybridge fez a primeira série de imagens de movimento rápido ao fotografar um cavalo em trote. Nunca até aí a pintura o soubera representar.
Louis Sullivan formou com o engenheiro Adler, em 1881, a firma Adler & Sullivan que muito contribuiria para a reconstrução de Chicago iniciada após o incêndio que a consumiu. Pode ser considerado o primeiro arquitecto moderno norte-americano, com ele se formou Frank Lloyd Wright e a ele é creditado o termo organicismo. A sua frase preferida era: - " A forma segue a função", mais tarde adaptada por Mies van der Rohe.
Em 1888 foi criada a Arts and Crafts Society sob os auspícios de William Morris que se opunha à produção industrial de objectos (na altura de qualidade deficiente), criticava a alienação da Natureza e das forças produtivas, propondo a valorização da produção artesanal, dos materiais naturais e dos ornatos inspirados na Natureza.
Na década de 90, na Escócia, na Escola de Arte de Glasgow Charles Rennie Mackintosh liderava um novo estilo caracterizado pela influência japonesa, pela contida decoração naturalista, pela geometria das linhas verticais e horizontais e pela preferência pelo branco e pelo preto. Victor Horta impunha-se em Bruxelas, sobretudo, e aí dominou enquanto se manteve na burguesia esclarecida local o gosto pelo estilo Arte Nova.
A máquina de costura Singer (1851), a cadeira, em madeira termo-curvada, nº14 de Thonet (1859), o primeiro relógio (de bolso) popular "one dollar-watch" (1880), a estátua da Liberdade (doada pela França em 1886), a Kodak para 100 tomadas de vista (1888), as "Juke-Box" e a Torre Eiffel (1889), o motor de Rudolf Diesel (1893), o cinematógrafo dos irmãos Lumière (1895) e o primeiro ascensor de Paris (1900) são as invenções revolucionárias da época.
Em 1900 o movimento de vanguarda dominante, a Art Nouveau, estava estabelecido. Interessado na utilização dos novos materiais e na produção de massas, embora fosse buscar influências ao passado, estava virada para o futuro. Caracterizado por uma fluidez orgânica e inspirado na natureza, podia ser interpretado de forma figurativa ou abstracta e os seus princípios aplicados ao design de todos os objectos. As entradas de metropolitano de Paris, desenhadas por Hector Guimard são bons exemplos deste estilo.

 

Breve história do Design (1901-1950)  

      1901

      

 

     No início do século XX, uma frenética série de espectaculares avanços tecnológicos causava impacto social. O motor de combustão interna, o motor eléctrico e os rudimentos das telecomunicações permitiram níveis de eficiência inimagináveis. Artigos anteriormente fabricados à mão passaram a ser feitos de modo mais rápido e barato pela máquina, abalando o papel do artesanato.
A máquina revolucionava também o mundo doméstico e, com o advento do rádio, do telefone e, mais tarde, da televisão, viria a redefinir completamente a comunicação no lar e no trabalho. A linha de montagem acelerou drasticamente a produção de veículos, tornando o carro a motor acessível a um mercado muito mais amplo.
Em 1901 Frank Hornby patenteou o Mecano. Em 1902 T. Edison inventou o acumulador de energia, ou bateria. Em Dezembro de 1903 os irmãos Wright voavam pela 1ª vez num aparelho mais pesado que o ar, materializando assim o velho sonho da humanidade, mas foi em 1906 que A. Santos Dumont fez verdadeiramente o 1º voo autónomo de um avião, ou seja com descolagem incluída. A ele também se devem as especificações para a fabricação do 1º relógio de pulso.
Em 1907, Hermann Muthesius, após uma estadia em Inglaterra para actualização e aprendizagem, fundou em Munique a Deustche Werkbund e dirigido pelo belga Van de Velde, surgiu o Instituto de Artes e Ofícios de Weimar. Foi criada a primeira identidade corporativa (da AEG, que sentiu necessidade de unificar o seu design) pelas mãos de Peter Behrens, que nesse ano muda radicalmente o seu estilo, para uma estética mais industrial, provavelmente devido à entrada simultânea na dita AEG e na Werkbund. Paul Cornu criava o 1º voo de helicóptero.
O Ford T, de 1908, tornou-se o primeiro automóvel a ser fabricado em série; seguindo os princípios do taylorismo e inspirado nos mecanismos transportadores dos matadouros de Chicago, Henry Ford alterou profundamente a vida de milhões de operários em todo o mundo. Em finais de 1910 apareceu no merado a primeira caneta a ostentar a famosa estrela branca da Montblanc.
Também nesse ano, Adolf Loos publicou o seu célebre livro "Ornamento e Crime" onde atacava a decoração abundante da Arte Nova. Arquitecto checo, admirador de Sullivan, ligado ao Jugendstil e à Wiener Werkstätte, tornar-se-ia modelar para os seus colegas dos anos 20, mais pela teoria que pelas suas construções.

 

      1911

      

     Josef Hoffmann do grupo de artistas e arquitectos vienenses conhecidos como a Secessão, criada em 1898, terminou em 1911 a construção do Palácio Stoclet, em Bruxelas. Embora a arte da Secessão fosse fundamentalmente Arte Nova no estilo, o seu design é lembrado pela ornamentação mais geométrica. Em 1912 afundou-se o Titanic e algum gosto oitocentista que perdurava.
A primeira Guerra Mundial (que de 1914 a 1918 deixou a Europa devastada, marcava o início da transferência do centro da vanguarda criativa de Paris para Nova Iorque, como a Segunda Guerra Mundial confirmará) contribuiu para o sucesso do Soutien que fizera a sua aparição no final do século anterior: as mulheres começavam a trabalhar e precisavam de roupa mais confortável. Mais para o final da guerra, foi pedido às mulheres norte-americanas para não usarem o antiquado corpete, libertando-se, assim, metal suficiente para construir dois navios de guerra.
Em 1914 a Black & Decker patenteou a primeira ferramenta transportável, um berbequim eléctrico revolucionário em forma de pistola. Inspirada na vagem do cacau, a garrafa da Coca-Cola foi redesenhada em 1915. Demasiado barriguda para a linha de engarrafamento, Alexander Samuelson inspirou-se, ao que parece, nas formas curvilíneas de Mae West. Este modelo, chamado saia-funil, por parecer um vestido até aos pés, teve o deu design patenteado em 1923.
Os artistas começaram a preocupar-se com a estética das máquinas e, em 1917, ano da Revolução Bolchevique de Outubro, na Rússia, um grupo de pintores holandeses, arquitectos, designers e filósofos formaram De Stijl (O Estilo). O objectivo era criar uma linguagem visual que expressasse uma nova estética, usando uma paleta de cores limitada e formas geométricas. A "red and blue chair", desenhada por Gerrit Rietveld, é um dos melhores exemplos. Por essa altura começou a produção em massa e muitos bens ficaram ao alcance de todos, melhorando a qualidade de vida da classe média.
Em 1919, em Weimar, sob a direcção de Walter Gropius, fundou-se a Bauhaus, escola que se transformou na mais influente instituição de design e cujo objectivo era formar designers industriais.

      1921

      

     Na influente Exposition Internationale des Arts Décoratifis et Industriels Modernes de 1925, em Paris, o arquitecto suíço Le Corbusier projectou um dos pavilhões que intitulou L'Esprit Nouveau. Era um modelo de modernismo: paredes brancas lisas, estrutura de betão e grandes extensões de vidro unificadas por uma geometria rígida. O seu mobiliário era despretensioso, do tipo que se encontra à venda nas lojas, incluindo a cadeira Thonet, de madeira curvada. Apesar disso, essa exposição é lembrada menos pelo funcionalismo da contribuição de Le Corbusier e mais pelo visual do resto da mostra, noutros pavilhões.
Foi daí que se originou a Art Deco, inspirada na arte não-ocidental, em especial africana e egípcia, popular na altura devido à descoberta do túmulo de Tutankamon, em 1922, por Howard Carter. Interpenetração de formas geométricas, modelos abstractos e zig-zags, cores brilhantes, bronzes, marfim e ébano eram as suas características mais marcantes.
A vontade de dançar charleton fez subir a baínha das saias, Coco Chanel lançou o seu perfume Chanel nº 5 (1921) e um novo estilo de roupa. Em 1923 Garrett Morgan, inventor de um capacete de bombeiros e da máscara de gás, patenteou os sinais de trânsito luminosos.
Marianne Brandt, em 1924, criou um serviço de chá e café em metal (que a Alesi reeditou em 1985), Marcel Breuer cria a sua cadeira tubular em homenagem a Wassily Kandinsky, no mesmo ano em que se fez, na Alemanha e na Inglaterra, a primeira emissão experimental de Televisão (1925). Mies van der Rohe, no ano seguinte, criou a sua cadeira "cantilever" em aço tubular sem pernas traseiras e, três anos depois (1929), a cadeira Barcelona, para a Exposição Universal dessa cidade. Surgem as primeiras máquinas de barbear eléctricas (1928) e o duplicador Loewy da Gestetner (1929).

      1931

      

     Desde o início do século, os designers vinham testando os efeitos da dinâmica dos corpos na água e no ar. Com base em estudos sobre a forma e os movimentos de peixes e pássaros, descobriu-se que os barcos e aviões podiam ser mais eficientes se tivessem o nariz e a fuselagem polidos. Em 1933, o Douglas DC1 fez sua estreia no transporte de passageiros. Radicalmente diferente dos seus desajeitados predecessores, possuía uma estrutura aerodinâmica monobloco, asas integradas e um revestimento de alumínio reforçado e resistente a ponto de dispensar os tirantes. O DC1, juntamente com o Boeing 247, assinalou o início do moderno voo comercial de passageiros. Nesse mesmo ano, René Lacoste criou, para a prática do ténis, o Polo ostentando o famoso crocodilo (criado em 1926 por Robert Georges), revolucionando assim o vestuário desportivo e os Nazis ascenderam ao poder provocando o êxodo de muitos intelectuais alemães. Muitos, entre os quais elementos da Bauhaus, transferem-se para os EUA.
Em 1934, a Chrysler lançou o seu novo carro aerodinâmico, o Airflow. Projectado por Carl Breer, era o resultado de extensas pesquisas de aerodinâmica. O seu design radical revelou-se um fracasso no marketing. O seu corpo unitário curvo, os pára-brisas inclinados e a traseira prolongada, eram tão diferentes dos carros anteriores que o público não o aceitou, tendo o seu fabrico terminado depois de apenas três anos de produção. No entanto, sendo um sucesso de engenharia, contribuiu muito para a aplicação da aerodinâmica ao design de carros, preparando o caminho para que outros designers criassem os seus carros de desporto famosos.
Raymond Loewy era, por essa altura, o responsável pelo redesenho do frigorífico Coldspot Super Six, que assim viu as suas vendas aumentarem 400%, dos cigarros Lucky Strike, do autocarro Silverside Greyhound e do logótipo da Shell.
A baquelite, inventada em 1909, começava a ser usada como substituto da madeira mas a sua facilidade de moldagem chamou a atenção dos designers que a aplicam, a partir desta década, nos produtos eléctricos.
Ferdinand Porche, em 1936, pôs a funcionar 3 protótipos do seu carro do povo, o Wolkswagen, de que se calcula tenham sido produzidos 30 milhões (de carochas). Nesse ano foi lançado o Tampax, apesar das dificuldades em anunciar o produto devido ao pudor e ao tabu em torno da higiene íntima feminina. Terminava, também em 36, ao fim de 5 anos, a construção, nos EUA, da Barragem Hoover. Construída durante a Depressão, foi um grande projecto de mobilização nacional e a primeira barragem gigante do mundo. A partir daí generalizou-se (nos países civilizados) o uso do capacete de trabalho.
Em 1937 terminavam os gloriosos dias dos dirigíveis com a tragédia do Hindemburgo, Henry Dreyfuss, em conjunto com um equipa de engenheiros da Bell, aperfeiçoou o telefone, tornando a sua utilização mais fácil, o húngaro László Moholy-Nagy, que participara na Bauhaus fundou, nos EU da América, a Nova Bauhaus no quadro do Instituto de Design de Chicago e o canadiano Donald Hings inventou o aparelho de comunicações sem fios conhecido por Walkie-Talkie (para andar e falar) pelo qual se interessariam os Aliados ao eclodir a II Guerra Mundial.
Em 1938 viu a luz do dia o electrodoméstico mais procurado pelas donas de casa europeias: o ferro de engomar, criação do americano Edmund Schreyer. Em 1939 a DuPont de Seaford (EUA) começou a vender o polímero Nylon que revolucionou a indústria do vestuário e a Philips lançou a primeira máquina de barbear eléctrica, a Philishave.
Neste período descobria-se o modelo americano, a arquitectura de Frank Lloyd Wright, os arranha-céus de Nova Iorque e uma nova estética funcional.

      1941

      

     A Segunda Guerra Mundial exerceu um forte impacto sobre o design e a fabricação de produtos. Os países envolvidos de imediato restringiram o uso de matérias-primas e as fábricas muitas vezes passaram a dedicar-se à produção militar. Em 1941, a Grã-Bretanha introduziu um plano de racionamento na tentativa de gerir o uso de recursos escassos. O mobiliário deveria ser forte e atraente, mas sem desperdício de material. Alguns, como a prata e o alumínio, ou foram completamente vetados ou não eram encontrados, e até o tinto para tecidos precisava ser aprovado pelo programa de racionamento. Investiu-se mais no design gráfico, com os governos a encomendarem posters de propaganda.
Em 1944 foi criado o Counsil Of Industrial Design para "promover através de todos os meios praticáveis a melhoria do design em produtos da indústria britânica".
1945 foi o ano da criação da popular Velosolex e do primeiro computador electrónico digital dos EUA. Em 1946, organizou-se a exposição "Britain can make it", nasceu o primeiro forno micro-ondas, comercializou-se a Vespa de Corradino D'ascanio e o casal Eames concebeu a cadeira "Plywood", a que chamaram a "cadeira do século". Popularizou-se o uso da máscara de mergulho, fruto de evolução lenta e anónima, e Jacques Cousteau associado a Emile Gagnan aperfeiçoou e comercializou o escafandro autónomo (inventado em 1926 por Yves Le Prieur).
A gama diversificada de contentores em polietileno com tampa estanque Tupperware, a Polaroid 95, capaz de processar a fotografia em apenas 60 segundos e o Bikini (assim baptizarão o atol das experiências nucleares da época) criado nos anos 30 por Jacques Hein, apareceram no ano do nascimento do estado de Israel e do lançamento do Morris Minor 1000: 1948. No ano seguinte nasceu Sierra Sam, o primeiro car crash test dummy.
Jacques Vienot fundou o Instituto Estética Industrial com a missão de exercer "uma acção directa pela melhoria da qualidade visual dos produtos", em França, em 1950, ano em que o sueco Sigvard Bernadotte e o dinamarquês Acton Bjørn desenharam para a Rosti as tijelas de empilhar em melanina Margrethe.


Breve história do Design (1951-2004).     

      1951

      

     O inferno da Segunda Guerra Mundial deu lugar à Guerra-fria, travada entre os EUA capitalistas e a URSS comunista onde o design estagnará devido à mobilização de toda a tecnologia de ponta para o serviço do estado e do exército. A competição envolvendo os dois sistemas políticos foi simbolizada pelo programa espacial. Os soviéticos ganharam a dianteira: em 1957 lançando o Sputnik I, o primeiro satélite a orbitar a Terra. A ciência, as viagens espaciais e a ficção científica tornaram-se uma obsessão. Motivos científicos passaram a ser associados à modernidade e a aparecer por toda a parte.
Nos EUA o automóvel tornou-se extravagante, pelas mãos de Harley Earl e da General Motors. Todos os anos são introduzidas novidades de styling, tornando os modelos anteriores obsoletos.
Em 1951 a Remington Rand, antecessora da Unisys, vendeu o primeiro exemplar do primeiro computador, o Univac, para o qual foi criado, dois anos depois, o primeiro. Em 1952 descobriu-se o trabalho do checo Zdenek Kovar, pioneiro dos utensílios ergonómicos e em 1953 fundou-se, na RFA de então, a Hochschule für Gestaltung de Ulm.
Buckminster Fuller, escritor, cientista e designer, que ganhara notabilidade devido às suas investigações acerca das energias renováveis iniciadas na década anterior, viu, nesta década, a sua fama multiplicada com o início da construção dos seus Domos Geodésicos. O mais famoso seria o que serviu de Pavilhão dos Estado Unidos na Expo 67 de Montreal, equivalente a um edifício de 20 andares.
A Associação de Design Industrial, para promover a excelência no design italiano, atribuiu pela primeira vez, em 1954, o prémio Compasso de Ouro. Nesse ano a Ford criou o primeiro Concept-Car da história, o FX Atmos e a Boeing, a 15 de Julho, fez voar o seu primeiro avião a jacto , o Dash 80. Tornar-se-ia no protótipo do famoso 707 que iniciaria com sucesso a carreira comercial dos jactos de passageiros. A dianteira, neste campo, tinha pertencido aos ingleses de Havilland (se ignorarmos as experiências militares nazis) que em 49 tinham feito voar o Havilland Comet que a perderam depois porque aquele avião revolucionário tinha falhas terríveis no projecto, causadores de vários desastres aéreos em 53 e 54.
A Braun (com um período áureo de 1955 a 1975 devido à liderança criativa de Dieter Rams), a Saab e a Volvo começam a produzir bens com a preocupação de durabilidade e segurança. Pelo contrário, Marcel Bich lançara em 1951 a esferográfica descartável Bic, evolução de uma criação, de finais dos anos trinta, dos húngaros Biro. Os Transístores (inventados em 1947 nos Laboratórios de Telefones Bell) que substituíram as válvulas tornavam os rádios mais robustos e menos ávidos de energia, ganhando, nesta década, adeptos entre os jovens e passaram a ser sinónimo de rádio pequeno.
Foi o início da febre de consumo.
Nas estradas andavam, em 1955, o Citröen Ds e o Fiat 600 Multipla, o primeiro monovolume alguma vez criado.
Charles Eames desenhou, em 1956, o seu célebre "fauteuil club", Eero Saarinen a sua cadeira túlipa (editada pela Knoll) que ameaçava o reino das quatro pernas habituais.
Também em 1956, iniciou-se a construção de Brasília. O velho sonho de centralizar a administração a partir do Planalto Central brasileiro encontrou na vontade política do presidente Jucelino Kubitschek, no Plano Piloto de Lúcio Costa e nos projectos de Oscar Niemeyer o seu impulso.
Max Bill primeiro, em 1957, desenhou um relógio de parede e depois uma série de relógios de pulso para a Junghans. O Austin Mini, de Issigonis, ganhava nova vida (1958), reflectindo o triunfo do compacto e da miniaturização. Nesse ano a DuPont começava a fabricar a revolucionária Lycra. Nascia a música (1958) e a arte Pop (1959). Para um exército de meninas, Jack Ryan, autor da "anatomia" do míssil Hawk, criava para a Mattel (1959) a Barbie. As botas de solas confortáveis Dr. Martens vieram a seguir (1960).

      1961

      

     Na década de 60, os nascidos durante o "baby boom" do pós-guerra haviam crescido e formado um novo e poderoso exército de consumidores. Procuravam a mudança em vez do permanente e uniforme propalado pela ortodoxia modernista. Acima de tudo procuram um visual próprio. Foi a época do Psicadelismo, a que não são estranhas as experiências com alucinogénios.
Tornavam-se adultos numa época de optimismo e autoconfiança inigualáveis e incontidos: a guerra e a austeridade que se lhe seguiu haviam acabado. Yuri Gagárin, em 1961 viajava pelo espaço e pouco depois chegou-se à lua, (Neil Armstrong, em 1969, daria o seu "salto gigantesco para a humanidade"); o primeiro transplante de coração fora realizado e, sessenta anos depois de o primeiro avião cruzar o Canal da Mancha, o Concorde atravessava o Oceano Atlântico em velocidade superior à do som. Dizia um comentador: "Vivemos numa sociedade descartável, a obsolescência é criada pelo célere progresso da tecnologia; a obsolescência premeditada".
A Pop Art impõs-se, liderada pelos norte-americanos Roy Lichenstein e Andy Warhol. Também este último multiplicou, ao seu estilo, a célebre foto de Che Guevara tirada por Alberto Korda em Março de 1960 que a partir daí surgiria reproduzida em mil e um adereços de merchandising. Em Inglaterra surgiam os Beatles que em 1964 visitaram os EUA e participaram no programa de tv de Ed Sullivan. Foram vistos por quase metade da população do país e induziram uma viragem nos comportamentos sociais dos jovens norte-americanos.
Ted Nelson propõe o projecto Xanadu para uma biblioteca universal e começa a falar, em 1965, em Hipertexto, ou seja, escrita não sequencial com ramificações, permitindo ampla escolha ao leitor, preferencialmente acedida através de um ecrã interactivo: é a enunciação do que viria a ser a (aspiração dos criadores da) Internet.
Nasciam as Cidades de Periferia e abriam os primeiros Hipermercados. A máquina de escrever Golfbell 72 da IBM (1961), o projector de slides Kodak Carrocel de Hans Gugelot (1962), o dispositivo de apontar para computadores conhecido por Rato (1963) de Douglas Engelbart, a moto Harley Davidson, a Mini-Saia (1964) de Mary Quant, que no ano seguinte Courrèges levava às passarelles da alta costura, o soutien Wonderbra (1966) da canadiana Louise Poirier, logo rejeitado pelas feministas, as tesouras ergonómicas cor laranja da Friskars de Olof Bäckström (1967), o Sacco ou Pouff (1968-1969), a pequena máquina de escrever Valentine desenhada por Sottsass para a Olivetti e o Relógio de Quartzo inventado pela Seiko, foram os objectos de referência da época.

      1971

      

     Neste período dá-se uma crise energética relacionada com a alta do preço do petróleo, o que fará com que comece a surgir interesse pelas energias alternativas, nomeadamente as renováveis e as construtoras automóveis se comecem a preocupar em baixar drasticamente o consumo dos seus carros.
A Itália continuou como centro líder do design radical na década de 70. Muitos de seus principais designers vinculavam-se ao mais importante movimento da década, o Pós-Modernismo.
Os carros desportivos de fabricação e design italiano, da Lamborghini, da Ferrari e da Lancia, concorriam com a Porsche, Jaguar e Triumph e para dar novo estatuto aos plásticos, os designers incorporavam-nos em artigos caros.
Período forte das novas tecnologias e das telecomunicações, essa época que viu nascer os objectos nómadas e os "computadores de garagem".
O sistema operativo Unix, pelos laboratórios Bell de que nascerão cerca de duas décadas depois o Linux e o Free Bsd teve a sua primeira release em 1971. Otl Aicher criou os famosos pictogramas para os Jogos Olímpicos de 1972 em Munique e apareceu a calculadora de bolso. Em Outubro de 1973 o Oldsmobile Tornado tornou-se no primeiro carro de venda pública equipado com air bags. Os cartões de crédito surgiram em 1974. No ano seguinte os norte-americanos rendiam-se aos Jeans, duplicando a produção da sua sarja em relação ao ano anterior, lançou-se o Kit Mits Altair 8800 que permitia aos particulares terem o seu próprio computador, ajudando assim Bill Gates e Paul Allen a arrancarem com a Microsoft e foi criada a Apple por Stefen Wozniak e Steve Jobs. São ainda desse tempo: o disco compacto da Philips, o Walkman da Sony e a impressora laser da IBM (1979), os aparelhos de telecópia e a generalização do saco de plástico, verdadeira praga da sociedade de consumo.

      1981

      

     Os avanços tecnológicos produziram muitas mudanças na penúltima década do século XX. A era do computador chegou definitivamente e os designers passaram a usar programas cada vez mais sofisticados para executar as representações técnicas do de produtos que eram tradicionalmente desenhados à mão. Para os designers gráficos, a nova tecnologia criou também milhares de novas possibilidades de lidar com a composição tipográfica e a reprodução de imagens.
Os objectos do quotidiano ganharam formas mais ergonómicas e começou a falar-se em Design universal. Este ganha consciência social e começa a preocupar-se com o meio ambiente. Surgiram produtos que podiam ser reciclados.
O design experimentou novas linguagens e radicalizou-se: Neo-Modern Design (Alchimia/Mendini, 1980), Memphis (Sotsass, 1983). Na Grã-Bretanha o movimento Punk influenciou artes gráficas, moda e cultura.
Nasciam o Modem, inventado pelos franceses da matra e da TRT (1980) e o IBM PC, responsável pela generalização do termo Computador Pessoal (1981). Nesse ano Neville Brody iniciou uma mudança radical na revista The Face (extinta em abril de 2004). Em 1983, os relógios Swatch e os brinquedos-robot articulados japoneses estavam na berra.
Em 1984 comercializou-se o telefone celular DynaTac da Motorola e o Macintosh. Primeiro computador a ter uma interface gráfica (GUI), foi publicitado por filme televisivo, de Ridley Scott, considerado dos melhores do século. A cadeira "Pratfall" de Philippe Starck para o Café Costes apareceu em 1985, ano em que foi criado e rapidamente generalizado, em Portugal, o cartão de débito Multibanco e a respectiva rede de caixas ATM que se tornaram das mais avançadas do mundo.
Em 1989 fundou-se o London Design Museum, o primeiro dedicado ao Design moderno, que gere o Prémio de Design da Grã-Bretanha e muitos outros por todo o Mundo despontavam a partir daí, entre os quais o de Lisboa, no Centro Cultural de Belém desde 1999.
Em 1990: lançamento do sistema operativo Windows 3, do programa de tratamento de imagem Photoshop 1.0 (evolução do Display de 1987 e do ImagePro de 1988) e desenvolvimento da World Wide Web por Tim Berners-Lee e Robert Cailliau.

      1991

      

     Nos EUA e na Comunidade Europeia foi a década de maior crescimento de todo o século XX. As ciências da vida tiveram um desenvolvimento fantástico, com a qualidade e a esperança de vida a aumentar. Mas a reprodução humana decresceu e passou a ser algumas vezes assistida medicamente. Em África, e outras regiões, é o declínio, muito por via da pandemia da Sida que grassa. Instalada definitivamente a globalização. As grandes metrópoles dos países desenvolvidos tornam-se multiculturais e precisam cada vez mais de trabalhadores estrangeiros. A Biodiversidade tornou-se imperativo e o Design, por analogia, diversificou-se.
O britânico Trevor Baylis, ao visitar a África no início dos anos 90, notou a importância do rádio para a transmissão de informações a comunidades remotas aonde não chegava a energia eléctrica. Embora muitas comunidades tivessem rádios, não eram de muita serventia, pois as pilhas eram caras demais. Isso significava que informações valiosas, especialmente as relativas à saúde, nem sempre chegavam. Baylis inventou então um rádio mecânico que gera a sua própria energia. Em colaboração com um fabricante, produziu um modelo actualmente em uso naquele continente. No Quénia, para onde foi em 1985 ao abrigo de uma bolsa Fulbright, Martin Fisher criou uma bomba de irrigação manual que se tornou um sucesso junto dos pequenos agricultores.
Estes exemplos enfatizam dois dos mais importantes imperativos do design na década de 90: Comunicação e Ecologia. Como bem demonstram a omnipresença da TV, do telemóvel, da Internet, e as catástrofes ambientais que têm ocorrido devido às alterações climáticas derivadas da degradação ambiental provocada pelo Homem (e este propósito, vale a pena revisitar as ideias legadas por René Dumond).
A Via Verde da Brisa e da Micro Design, invenção portuguesa de pagamento electrónico de portagens de auto-estrada de 1991 e o browser Mosaic, do NCSA, de que foi lançada a primeira versão beta em 1993, que está na origem do Netscape e do Internet Explorer, são desta época. Em 1997 o israelita Ron Arad obteve grande sucesso comercial pois a Kartell vendeu 1000 Km da sua estante Book Worm e no ano seguinte Mario Bellini produziu a premiada cadeira que leva o seu nome.

      2001

      

      E o século XXI?
O século anterior foi marcado por espectaculares avanços nos campos da Física e da Química. Será o presente século dominado pelas Ciências da Vida, como diz Jeremy Rifkin? E confirmará ele a Leveza, a Rapidez, a Exactidão, a Visibilidade, a Multiplicidade e a Consistência, enunciados por Italo Calvino nas suas "Seis propostas para o próximo milénio" como princípios orientadores?
Para já temos como certo que o envelhecimento da população dos países desenvolvidos está a produzir efeitos sociais, sendo necessário rever objectos e serviços disponíveis, e que no Terceiro Mundo a Sida (Aids) está a ter um impacto devastador.
Por outro lado, o atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001 que derrubou as Torres Gémeas de Nova Iorque e os que se seguiram, nomeadamente o de 11 de Março de 2004 em Madrid, afectaram irremediavelmente a vida de milhões de pessoas em todo o mundo e vieram colocar as questões da segurança no centro das atenções.
Paradoxalmente, também parece ter conduzido a uma mudança de estilo de vida. Assiste-se ao fim do Minimalismo, à emergência de novos centros de Design e à disseminação de um amplo espectro de influências culturais, por via da globalização. 
Em 2004, pela primeira vez, nos 24 anos de vida do prémio IDEA, uma empresa asiática conquistou mais prémios que qualquer outra americana ou europeia: a Samsung ganhou cinco IDEAs, seguindo-se a veterana (em prémios) Apple Computer Inc. com quatro e na Alemanha, o Design Zentrum Nordrhein Westfalen atribuiu o Red-Dot Design Award à Pininfarina Design Team (em 2003 fora à Nokia Design Team), demonstrando a dinâmica das indústrias electrónica e automóvel.
Em Junho deste ano, o Space Ship One, de um projecto da Scaled Composites liderado por Burt Rutan, tornou-se no primeiro veículo privado a ultrapassar os limites da atmosfera.

 

 

 

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